Falha no sistema
Um teto sombrio, com tanta gente em movimento, um desfalque de transporte público, às vezes, com relento solar ou tempestade de tempo frio. As paredes com manchas de vandalismo urbano e o chão coberto pelo suor da correria. E ainda por cima, compactuando com a pirataria da capital. Às vezes, correndo riscos de enfrentar a marginalidade concentrada ao anoitecer da cidade.
Lamentável. Mas é só parar na rodoviária do Plano Piloto. E, para completar o conjunto de características, não a quem não se constrange com as crianças pedindo esmolas ou perdidas na capital, que na maioria das vezes, se envolvem com as drogas e saem das suas casas e param pelo centro da cidade. E para isso existem algumas agências em Brasília para tentar resolver esses casos. Mas ninguém consegue entrar em contato com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, órgão responsável, para dirigir-se a famílias que possuam uma causa de desaparecimento.
Em contra partida, nas páginas da WEB, estão acessíveis sites de agências que prestam auxílio a famílias que tiveram conhecidos – parentes ou não – desaparecidos. Todos os sites disponibilizados, tirando alguns posts colocados em sites de anúncios, estão ligados a secretaria do governo do Distrito Federal. Apesar de possuir coordenadores diferentes, os contatos disponíveis levam a um único órgão do governo: O CREAS (Centro de Referêcia Especializao de Assistência Social). O Distrito Federal tem o maior número de pessoas desaparecidas do Brasil, seguido pelo Rio de Janeiro. De acordo com a informação da Sedest (Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal), nesse ano de 2009 foram registrados mais de 300 casos de desaparecimento, sendo 25% deles não resolvidos.
De todos os sites com a mesma analogia, são encontrados dados acessíveis como características físicas, documentos pessoais e circunstâncias do desaparecimento. Informações do tipo: Charles Pinto de Araújo desapareceu dia 11 de maio de 2002. Depois de sair para brincar na rua da cidade um pouco longe da capital, Recanto das Emas, a criança não voltou. Apareceram indícios que poderia está localizado em Taguatinga, cidade mais movimentada do DF.
O maior desafio é exatamente conseguir entrar em contato com essas agências. Digo de passagem que não está disponível nas páginas oficiais da internet os endereços e nem os horários de atendimento para a comunidade e principalmente para a grande imprensa.
A Secretaria do Desenvolvimento social disponibilizou em seu site oficial – o que era pra ser um link direto – um espaço para o SOS Crianças e Adolescentes desaparecidos. Mas parece que o projeto não funcionou muito bem. Em investigação sobre o caso, foi visto uma falha no sistema. Não era possível acessar o link. Ainda assim, depois de várias tentativas, não houve resultado algum. Os órgãos da Secretaria social ainda insistem em divulgar o site como ferramenta de trabalho. E isso não pode ser justificado como falha de apenas um dia. Já foi verificado e há semanas que o site já não vem funcionando como proposto. Vamos considerar que o Governo do Distrito Federal deveria ter mais preocupação a lidar, e assim, não colocar em prática os projetos de ajuda. Para começo, o Brasil não tem disponível estatísticas oficiais da parte do governo sobre os desaparecimentos registrados.
Não parece uma tarefa fácil conseguir falar com algum funcionário desse órgão de desaparecidos do Sedest. E ainda assim, depois de conseguir, não é nada legal deparar com o CREAS, órgão acolhedor de famílias, em greve por duas semanas. Mas, o Sedest se responsabilizou em atender todos aqueles que estiverem dúvidas sobre o assunto. Não é fácil conseguir contato, mas depois as informações podem ser bem sucedidas. O atendimento gratuito por telefone, muitas vezes congestionado, do Sedest disponibiliza para aqueles que procuram por informações e/ou contatos, o número de telefone do Núcleo dos Desaparecidos, que é um setor responsável pelo contato entre “imprensa e família”.
Linha 630
Um pouco tarde, faltando alguns minutos para o dia definitivamente acabar, a jovem parecia exausta e decidiu ir embora. E a partir daí iniciou-se o mistério. Talvez possa demorar mais um pouco para as evidências aparecerem. Ou talvez ela nunca apareça. Mas no dia onde tudo parecia normal, as coisas não aconteceram desse jeito.
Tudo indicava que Denise Estácio Dias, 18 anos iria passar mais um final de semana na casa do namorado no condomínio Nova Colina, a 2 km de sobradinho. O dia seria para diversão, e à noite, as igrejas estavam esperando de portas abertas à presença da garota que curtia rock e que, depois de algum tempo, passou a adotar o estilo emocore.
A manhã parecia ter sido algo prazeroso. O churrasco na casa do namorado, com a família toda reunida, durou até as 18h00min. A partir daí, depois de curtir o dia, a noite seria dedicada para participar dos projetos religiosos. Mas os planos não deram certo. E o churrasco se prolongou. E quando estava indo para casa, a estudante do 3º ano do ensino médio, desapareceu.
Aos prantos, a irmã de Denise, Daiane Estácio Dias, esperou por algumas horas para tomar algumas atitudes e ir procurar as autoridades policiais. Ela não sabia exatamente o que tinha acontecido com a irmã e, depois de ouvir a versão do namorado, ficou convencida que algo sério havia acontecido. E que principalmente, algo muito estranho.
As dúvidas começaram a surgir e todos da família Estácio, principalmente o noivo da Denise, se convenceram que o namorado não estava sendo totalmente verdadeiro. Algumas atitudes, que demonstram sinal de nervosismo ou insegurança, foram transmitidos pelo companheiro da Daiane. Que depois disso foram aparecendo evidências negativas do rapaz. Inclusive que ele poderia ser usuário de droga e que estaria envolvido com algumas coisas da malandragem. Que por sinal, ele acusou a desaparecida do mesmo. E sem constrangimento, declarou que isso já não era a primeira vez a acontecer. É verdade que ela já esteve fora de casa por uma semana, mais com a família consciente disso.
O sumiço da garota não pode ser classificada como uma simples fuga de adolescente, que na maioria dos casos de desaparecidos, acontece. Porque a família Estácio não tinha nenhum caso que leve a isso. Como separação conjungal, maus tratos familiares, abuso sexual ou prática de isolamento. Que são fatores óbvios de fuga.
A polícia foi convocada e o boletim de ocorrência foi registrado na 13ª DP, em sobradinho. As investigações foram feitas e todos os amigos, familiares e próximos de Denise foram interrogados. Mas os depoimentos não eram o suficiente para apontar uma solução para um caminho do paradeiro dela. O tempo foi passando, e hoje, com cinco meses de desaparecimento nada ainda foi registrado. O celular ainda continua desligado, os documentos sem nenhuma restrição e sem alguma notícia dela. Sendo ela, satisfatória ou não.
A família do namorado confirmou a versão contada por ele. E sem nenhuma preocupação, ele não procura por notícias da ex. Algumas contradições contadas por ele foram descobertas. E ainda assim, nada serviu de prova. O porteiro do condomínio não o viu sair com a namorada, o motorista e nem o cobrador do ônibus, que ele falou ter deixado Denise, também não se recordam dela. E ainda assim, ele continua dizendo que não sabe da estadia dela e que a ultima vez que a viu foi entrando naquele ônibus, pegando a linha 630 – que por acaso, não existe. As páginas de relacionamento que Denise frequentemente acessava, nunca mais foram logadas. As fotos do casal, que tinha na página do namorado, foram excluídas. E ele esqueceu ela de vez. E ainda nada foi provado.
A família, com tristeza nos olhos, já procurou por vestígios nos hospitais da região e no entorno. E ainda assim, não encontrou nenhuma notícia. “Agora em janeiro Denise irá completar 19 anos, e eu sei que ela está viva”, diz a irmã.
Sedest X CREAS
A Sedest (Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal) é um órgão do governo responsável pela divulgação das crianças e adolescentes desaparecidos. Outro órgão em pareceria com a Sedest é o CREAS, que atua no acompanhamento das famílias, com tratamento psicosocial. O centro de assistência do governo, CREAS, do Distrito Federal promove o acolhimento das famílias. O acompanhamento é feito de maneira individual ou em reuniões de grupos, onde as famílias têm possibilidade de trocar experiências.
A Sedest já fechou parcerias com a CAESB (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) e a CEB (Companhia Energética de Brasília) onde são divulgados as fotos das crianças. Agora, a Sedest, está tentando fechar contrato com os ônibus onde será divulgado as informações no fundo da condução.
Existem ainda vários projetos em pauta para colocar em prática. Tanto a Sedest, tanto o CREAS ainda possuem algumas falhas. Os sites oficiais ainda não estão funcionando como proposto. Mas a Secretária de Estado de Desenvolvimento Social, Eliana Pedrosa, participou da CPI das Crianças e Adolescentes Desaparecidos, no ultimo dia 10. Na Opinião da secretária, ela acha não é que o Distrito Federal tem o maior número de desaparecidos, mas ele tem um excelente sistema de recolhimento de informação.
Contatos:
Sedest: http://www.sedest.df.gov.br/
Site oficial dos desaparecidos: http://www.desaparecidos.mj.gov.br/Desaparecidos/
SOS Adolescentes e Crianças desaparecidas: 33412839



